DESCRIÇÃO

      Após algumas incursões “soft” , voltamos à nossa serra fetiche, aquela que nos provoca mais sensações e nos põe mais perto dos nossos limites.
Apesar da ausência do nosso caminheiro mor, este não deixou os seus créditos por mãos alheias e desenhou um percurso bem radical e que para além de bonito, como só o Gerês consegue ser, exigia muito do nosso físico.
Iniciamos o nosso percurso na Aldeia de Cabril e logo aí tivemos dificuldade em descobrir a ponte pedonal que atravessa um braço da albufeira de Salamonde. Por entre cancelas, mais ou menos estilizadas mas, que apesar disso, cumprem com a sua função de barrar caminho de gentes e animais lá conseguimos descobrir a ponte.
Depois dessa primeira dificuldade e com um cheiro a esturro no ar lá fomos galgando os caminhos e carreiros que nos haveriam de levar nosso destino. Mas o cheiro a esturro tinha, infelizmente, origem bem diante de nós e tivemos mesmo de o atravessar. Ainda sentimos o chão bem quente por baixo das nossas botas, apesar de estar já em fase de rescaldo. A quem interessará tamanha devastação? E conforme íamos subindo e o horizonte se alargava outras colunas de fumo se viam aqui e ali o que indiciava que o dia ia ser escaldante no que diz respeito ao número de fogos. Tentando bordear as áreas ardidas deixamos para trás aquele cenário desolador e voltamos para as encostas verdes e imponentes e aos vales luxuriantes que são apanágio desta serra. Por ladeiras íngremes e vales mais ou menos profundos, paisagens deslumbrantes, matos densos, caminhos de pé posto, outros nem por isso lá fomos subindo e descendo. Sempre com um sol de primavera a acompanhar o nosso passeio e a secar as nossas gargantas. E tanta água lá bem no fundo do vale. Descemos bem até lá ao fundo bordeando a albufeira não para matar a sede, mas para cumprir os planos predeterminados. Quando pensávamos que daí para a frente as “coisas” em termos de percurso iam melhorar. Não é que mais uma vez o “caminho” desapareceu! E mais uma vez a corta mato lá fomos, até reencontrar o trajecto já depois de termos transposto o Rio de Pincães. A partir daqui, sim. as dificuldades desapareceram. Mas já a tarde se despedia, estava na hora de repor energias e mal avistamos a ponte de Cabril logo nos assaltou às mentes o local de repasto. Nem hesitamos e foi logo ali bem juntinho à ponte.
De salientar ainda o regresso do companheiro Carlos a estas andanças e cuja reentré coincidiu com um percurso bem recheado de peripécias, para contar aos netos.

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