DESCRIÇÃO

 

Dia 24 de Janeiro de 2009, o Grupo Naturezas, algo desfalcado, apenas presentes os três magníficos, Lopes Silva e Miguel, concentram-se na hora e locais do costume, religiosamente cumpridos e dão corda às botas rumo a Fafião, na serra do Gerês.
Já depois de passado o cruzamento com a placa a indicar Fafião, deparamos na estrada com duas árvores de grande porte caídas que nos impediram de prosseguir, vítimas da tempestade que assolou a zona durante a noite, e nos obrigaram a voltar para trás e seguir pela estrada de Ruivães.
Uma vez em Fafião, já equipados a rigor, para iniciar o percurso, atendendo à ausência do companheiro Resende, responsável pelas relações públicas que para não se sabe nunca onde, marcamos o almoço, o tradicional pica no chão, para as 15h30, no melhor e mais belo restaurante da zona, é o único, esta parece do telerural, e por volta das 8h40 iniciamos o percurso na pequena ponte que atravessa o rio Fafião, no sentido da sua nascente.
O percurso marcado a régua e esquadro pelos companheiros Miguel e Fernando, não fosse o diabo tecê-las, estendia-se ao longo do rio Fafião, incluía duas travessias sobre o mesmo e algumas incursões sobre as suas margens montanhosas, para regressarmos à mesma ponte no sentido inverso.
O percurso foi-se revelando algo difícil, não só pelas características rochosas, com subidas muito acentuadas e constantes, a exigirem um esforço suplementar aos participantes que uma vez mais não viraram a cara à luta, bem como pela impossibilidade de atravessar o rio, no local marcado, devido ao seu intenso caudal que obrigou a tirar as botas e arregaçar as calças, bem acima dos joelhos, com os pézinhos na água fria e suportando a forte corrente que se sentia e que não podia estar previsto pelos técnicos nos cálculos da régua e esquadro.
O tempo esse portou-se lindamente, até nos brindou com dois pequenos chuveiros e o Sol chegou mesmo a brilhar e dar luz para alumiar as subidas.
Estivemos durante este percurso, diante de uma gigantesca manifestação de beleza da mãe natureza, em contacto privilegiado com o ambiente, num palco de natureza praticamente intacta, baptizada com vários pontos de água com quedas deslumbrantes que alimentavam o rio Fafião, povoada com carvalhos e pinheiros, contrastando com a força das rochas, brindados com a presença de cavalos selvagens, os nossos garranos que nos transmitiram, apesar do esforço dispendido, uma serenidade e um bem estar indescritíveis, só comparável à aldeia de Curral de Moinas.
Terminamos com o repasto, não pelas 15h30, mas pelas 16h30, do famoso pica no chão, após 7h30 de marcha e 18 km nas botas.

     

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