DESCRIÇÃO
Escolhemos para encerrar, mais um ano de convívio e gosto pela natureza, uma nova subida à Serra do Larouco . Queríamos acabar o ano em beleza. Queríamos neve! E já sabemos que cá pela nossa terra para encontrar neve só há dois sítios; os Carris e Larouco. Nada é tão frio como esses dois pontos. Escolhemos o Larouco, cujas recordações da primeira subida continuam gravadas na nossa memória e assim continuarão, como um dos mais belos espectáculos a que assistimos nestas nossas incursões.
A previsão meteorológica para esse dia dava-nos algumas esperanças e a ansiedade era grande de vermos a serra para as dúvidas dissipar. Chegados a Montalegre, frio era coisa que não faltava e ao longe a serra já se deslumbrava debaixo de uma névoa que não permitia ver claramente a existência ou não de neve.
Chegados a Gralhas, localidade onde iríamos começar o nosso percurso, terra cuja origem se perde nas brumas do tempo, por onde se cruzaram toda a casta de povos e civilizações e detentora de Foral Régio outorgado por D. Dinis. (para os interessados http:// gralhasterrabarrosa.blogs.sapo.pt/ ). Tal como em tempos idos, povos aqui se encontraram, também nós encontramos um novo caminhante. O Hamilton que, da sua cidade Invicta se deslocou até Gralhas para fazer esta caminhada connosco.
Descrentes, começamos a nossa caminhada no Largo do Cruzeiro palco, mais tarde, de cena a condizer com as tradições ancestrais da localidade.
Iniciamos a subida sempre olhando, de soslaio para os altos do Castelo de Romão, do Caldeirão, Corisco, Barreiras Brancas tentando ver vestígios da neve que tanto desejávamos, mas a arreliadora bruma não lhes deixava ver os picos. Sempre em caminho não muito íngreme continuamos a subida. Chegados aos 1300m entramos na neblina e só então a neve que com o seu manto branco cobria o topo da Serra.
Frio! Muito frio. Neve! Ainda muita neve. Nevoeiro! Muito nevoeiro. Foi o que encontramos lá no alto. Mas foi disso mesmo que viemos à procura. E encontramos!
Escondidos, protegidos do vento gélido “tratamos” dos já tradicionais rissóis e para a posteridade deixamos, a alegria de ter conseguido atingir mais um objectivo, estampada num cartão de memória.
Estavam a ser horas de descer até porque os corpos estavam a arrefecer. Descemos pelo lado oposto ao da subida com neve pelos joelhos. Até que de repente tudo mudou e por pouco quase tínhamos sol. Até parecia que os Deuses tinham deixado aquele cantinho para aqueles, que como nós , gostam de ter um bocadinho da Finlândia no nosso país!!! De volta ao Largo do Cruzeiro deparamos com um grande aglomerado de pessoas em volta de um monte de lenha por onde saltitavam dois, ainda juvenis, leitões um pouco amedrontados como que adivinhando a sua sorte. Perguntamos a que se devia tamanho festejo. Nenhuma razão lógica nos foi dada, para além do convívio entre as gentes da terra, o que só por si é um excelente motivo. Só não percebemos o sacrifício, mas provavelmente serão reminiscências culturais dos povos que por lá andaram. Não esperamos pelo final triste dos animais e viemos embora, para junto às ameias do castelo de Montalegre, comermos umas belas costeletas de vitela.
Terminamos desejando a todos os Companheiros pedestrianistas um bom ano de 2008 cheio de belas aventuras. NATUREZAS.COM
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