Descrição do percurso

 

Mais um dos nossos objectivos, foi cumprido. Ainda bem que decidimos fazê-lo no passado dia 27/01, pois não podiam existir condições atmosféricas, mais propícias que aquelas que se vieram a verificar: Um sol radioso, visibilidade excelente, com um frio de “rachar”, e a Serra do Larouco coberta com um manto branco. Consequência directa da precipitação que tinha ocorrido dias antes. Eis os ingredientes ideais para que esta caminhada fosse um êxito. Rumando cedo para terras transmontanas chegamos a Padronelos onde iniciamos a caminhada que nos iria levar até ao cume da serra que se situa a 1527 mt de altitude. Utilizando caminhos rurais, lá fizemos a aproximação ao conjunto de elevações que compõem a Serra do Larouco.
Ao longo do percurso fomos constatando quanto agrestes são aquelas paragens, pois o frio era intenso e os caminhos cobertos de neve que em algumas zonas se tinha transformado em gelo. Num ápice estávamos nas imediações da nascente do Rio Cavado, onde um pouco mais acima teríamos que abandonar o estradão que serpenteia a montanha até ao cimo. Foi aqui que tivemos de enfrentar a parte mais exigente de todo o percurso, pois utilizamos um caminho íngreme que vai até muito perto do marco geodésico. A forte inclinação a par da neve e das placas de gelo constituíram obstáculos que penosamente conseguimos ultrapassar. Ao fim de uma hora estávamos no topo de onde se desfruta uma paisagem impressionante. De onde a nossa visão consegue alcançar pontos distantes, como as montanhas da Galiza, as Alturas do Barroso e os Carris no Gerês. O frio aqui era intenso, agravado por um vento gélido, persistente, de cortar os ossos. Calculamos que a temperatura deveria rondar os 6 a 7 graus negativos. A atestar esta temperatura árctica, estavam as formas curiosas da neve erodida que entretanto se transformara em gelo, quais estalactites, que em vez de se formarem na vertical, cresciam na horizontal, por acção da força do vento. Após uma curta paragem para um ligeiro entretêm dos estômagos e as fotos da ordem, era altura de iniciar a descida, não sem antes darmos um salto a um ponto que nos pareceu ligeiramente mais alto que o MG ?? Seria possível? 1537 mt é quanto indicam as cartas para aquela zona. A confiar nas cartas o marco geodésico teria sido colocado no local errado. O regresso fez-se pelo estradão, que referimos no início, e aos poucos, cada vez mais protegidos do vento, fomos deixando para trás o manto branco de rara beleza que momentos antes nos encheu a vista e as mentes. A horas mais próprias, dado que o percurso não foi extenso, chegamos a Montalegre onde passamos à fase seguinte do nosso périplo por terras transmontanas. O retemperante almoço -  servido em zona medieval da acolhedora cidade.

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